O climatério é uma fase natural da vida da mulher que marca a transição entre o período reprodutivo e o não reprodutivo. Durante esse processo, ocorre uma redução progressiva da atividade dos ovários e da produção hormonal, especialmente de estrogênio e progesterona.
A menopausa corresponde à última menstruação da mulher e seu diagnóstico é estabelecido retrospectivamente após 12 meses consecutivos sem menstruar, quando não existe outra causa para a ausência de menstruação.
Embora seja uma etapa fisiológica, as alterações hormonais podem provocar sintomas capazes de interferir significativamente no bem-estar, na sexualidade, no sono, na composição corporal e na qualidade de vida.
Principais sintomas
Cada mulher vivencia o climatério de maneira diferente. Algumas apresentam poucos sintomas, enquanto outras percebem mudanças importantes no dia a dia.
Entre as manifestações mais frequentes estão:
- Ondas de calor e suores noturnos
• Alterações do sono e insônia
• Oscilações de humor e irritabilidade
• Cansaço e redução da disposição
• Dificuldade de concentração e alterações de memória
• Redução da libido e do desejo sexual
• Ressecamento vaginal e desconforto nas relações sexuais
• Alterações urinárias
• Mudanças na composição corporal, com maior facilidade para ganho de gordura e perda de massa muscular
• Alterações da pele e dos cabelos
• Redução progressiva da massa óssea
Além dos sintomas, essa fase merece atenção especial porque as mudanças hormonais podem repercutir sobre a saúde óssea, cardiovascular, metabólica, sexual e geniturinária.
Como é feito o diagnóstico?
Na maioria das mulheres com idade compatível e ciclos menstruais previamente regulares, o diagnóstico do climatério e da menopausa é principalmente clínico, considerando idade, padrão menstrual, sintomas e histórico de saúde.
Quais exames podem ser solicitados?
A avaliação é individualizada. Além de exames eventualmente necessários para investigação hormonal, a consulta é uma oportunidade para realizar uma avaliação global da saúde da mulher.
Dependendo da idade, dos sintomas, dos antecedentes pessoais e familiares e dos fatores de risco, podem ser avaliados:
- Perfil metabólico e cardiovascular
• Glicemia e metabolismo da glicose
• Perfil lipídico
• Função tireoidiana
• Saúde óssea e risco de osteoporose
• Exames ginecológicos e rastreamentos indicados para a faixa etária
• Avaliação mamária
• Outros exames laboratoriais ou de imagem quando houver indicação clínica
O objetivo não é simplesmente analisar resultados isolados, mas compreender a mulher como um todo e identificar quais aspectos precisam de maior atenção nessa nova fase.
Tratamento da menopausa
O tratamento deve ser individualizado, considerando sintomas, idade, tempo desde a menopausa, histórico médico, fatores de risco, preferências e objetivos de cada paciente.
A terapia hormonal da menopausa é uma das principais opções para mulheres que apresentam sintomas relacionados à deficiência hormonal.
Existem diferentes hormônios, doses e vias de administração. A escolha deve ser realizada após avaliação médica cuidadosa, buscando utilizar a estratégia mais adequada para cada mulher.
Além da terapia hormonal, o tratamento pode envolver:
- Terapias locais para sintomas vaginais e geniturinários
• Tratamentos não hormonais quando indicados
• Orientação nutricional
• Atividade física, com atenção especial à preservação da massa muscular e óssea
• Cuidados com sono e saúde emocional
• Prevenção cardiovascular e metabólica
• Cuidados com a saúde sexual e qualidade de vida
Acompanhamento
O acompanhamento periódico permite avaliar a evolução dos sintomas, resposta ao tratamento, possíveis efeitos adversos e necessidade de ajustes, além de manter atualizados os cuidados preventivos e os rastreamentos recomendados para cada faixa etária.
Mais do que tratar sintomas isolados, o acompanhamento nessa fase busca promover saúde, prevenção e qualidade de vida a longo prazo.
Uma nova fase merece um cuidado individualizado
A menopausa representa uma nova etapa da vida da mulher, com necessidades específicas e diferentes possibilidades de cuidado. Com avaliação adequada, acompanhamento médico e um plano terapêutico individualizado, é possível atravessar essa transição com mais conforto, segurança, bem-estar e qualidade de vida.



